*Felipe Oliveira
Se depender da Câmara Municipal de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, a imagem dos políticos não terá curvas diferentes daquelas desenhadas pelos “artistas” de Brasília na última legislatura. Os “Senhores” vereadores aprovaram na semana que antecedeu o Carnaval – ao apagar das luzes para a festa popular – a criação de 15 novos cargos de confiança que representarão uma despesa anual superior a R$ 700 mil.
Com a aprovação de dois projetos de lei, um criando o cargo de coordenador jurídico e outro a vaga de assessor parlamentar, cada um dos 14 vereadores passa a contar com a possibilidade da nomeação de um terceiro assessor. As funções têm vencimentos que qualquer profissional, de qualquer segmento, pensaria duas vezes antes de recusar. São mais de R$ 2,6 mil por mês aos assessores. O coordenador jurídico? Na casa dos R$ 5 mil.
Não há dúvidas de que a sociedade concorda com a justificativa dos “nobres” parlamentares: “é necessário qualificar o atendimento à sociedade”. É sim vereadores. Mas não no parlamento, onde a incumbência essencial é legislar na busca desse melhor atendimento. Bom atendimento que deve se refletir na rede pública de saúde e de educação. Ou quem sabe precisemos de melhor atendimento também na área da segurança pública!
Não há tema mais recorrente na opinião pública do que contenção de despesas. Pois Novo Hamburgo retrocede, aumentando o desperdício do dinheiro público e contribuindo para a manutenção de um modelo político viciado, baseado no empreguismo. Vale lembrar que a responsabilidade “oficial” dos parlamentares consiste na simples presença às duas sessões ordinárias semanais. São apenas duas tardes por semana. E mais, sequer os assessores têm registro ponto para obedecer…
Para além da crítica a um parlamento que rejeita o fim da contratação de parentes de políticos, que seguem nas estruturas públicas hamburguenses, é necessário que se faça a urgente e notória crítica ao modelo de democracia adotado pelo Brasil. Seja na esfera municipal, estadual ou federal, o Poder Legislativo há muito não representa nem as maiorias, sem falar das minorias sem representação. Talvez o “modesto” exemplo de Novo Hamburgo, aliado aos escândalos de Brasília, ou ao salário vitalício para governadores aprovado nos parlamentos estados afora, sirvam de alerta. E o pior é que talvez seja necessário algo mais chocante!
Enfim, voltemos ao “pequeno grande” exemplo do Vale do Sinos. O veto do Executivo à matéria que cria os novos cargos, anunciado nesta segunda-feira, dia 26, vem no sentido de zelar pela preservação do que é de interesse público. Poderíamos discutir também a moral desse Executivo, que propõe o fim do nepotismo e mantém parentes de políticos sem concurso público em seus quadros desde o início do governo. As atenções, no entanto, estão voltadas para o Legislativo. E será necessário muito “bafo na nuca” dos vereadores para manter o veto aos novos cargos!
CUIDADO! Eles não são procurados, mas representam perigo aos cofres públicos! Votaram à favor de mais assessores!

Ito Luciano (PMDB)

Antônio Lucas (PDT)

Teo Reichert (PDT)

Soli Silva (PDT)

Ranan Shaurich (PTB)

João Marcos (PTB)

Lorena Mayer (PFL)

Gerson Peteffi (PSDB)

*Cleonir Bassani (PSDB)
*O vereador Cleonir Bassani votou à favor da criação de mais assessores em primeiro turno e contra no segundo e decisivo.
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*Felipe Oliveira – Estudante de Jornalismo na Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) – São Leopoldo-RS e Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)